domingo, 8 de novembro de 2009

Por que envelhecemos?


Podcast discute os processos biológicos por trás do envelhecimento e os limites da longevidade




O envelhecimento e a morte são uma preocupação da humanidade há milhares de anos. Com o avanço da ciência, nossa longevidade vem aumentando constantemente. O Estúdio CH desta semana aborda os processos biológicos envolvidos no envelhecimento dos seres humanos e discute os limites da longevidade.

Em sua estreia como apresentador do nosso podcast, Fred Furtado conversa com o biólogo Emílio Antônio Jeckel Neto, diretor do Museu de Ciência e Tecnologia da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul. O pesquisador, especialista em biologia do envelhecimento, explica o que leva o nosso organismo a assumir características diferentes à medida que o tempo passa. Segundo ele, isso acontece porque nosso sistema biológico se torna cada vez mais simplificado para desenvolver estratégias para sobreviver a um ambiente em constante modificação.

Jeckel Neto ressalta que há um limite para a longevidade de qualquer ser vivo. Dependendo de suas propriedades intrínsecas para conseguir se adaptar às variações ambientais, os seres alcançam um sucesso maior ou menor no que diz respeito à quantidade de tempo que são capazes de se manter no ambiente.

O biólogo explica que os avanços da ciência em relação à longevidade estão muito mais associados a questões ambientais do que ao organismo em si. A expectativa média de vida aumentou bastante, por exemplo, com o desenvolvimento dos antibióticos e quando os profissionais da área de saúde descobriram que lavar as mãos diminuía o risco de contaminação. Mas não existe uma intervenção científica capaz de aumentar a longevidade máxima do organismo.

Sobre a possibilidade de se intervir nos processos biológicos do corpo para aumentar nossa qualidade de vida, Jeckel Neto diz que esse fator não está associado somente ao indivíduo, mas à sociedade como um todo, que se beneficia da existência de saneamento básico, por exemplo. O biólogo acrescenta que o aspecto individual que mais interfere na longevidade dos seres humanos é a quantidade e a qualidade dos alimentos ingeridos e explica o motivo dessa relação.

Para ouvir a entrevista com Emílio Antônio Jeckel Neto, siga as instruções do quadro abaixo.

O cérebro fabrica maconha


Pesquisadores de São Paulo descobrem novas substâncias canabinoides produzidas pelos neurônios

No início dos anos 1970, uma grande surpresa agitou os farmacologistas, aqueles que estudam o efeito das substâncias químicas sobre os órgãos e sobre as células. É que o neurocientista Solomon Snyder, da Escola de Medicina da Universidade Johns Hopkins, nos Estados Unidos, descobriu que havia no cérebro proteínas capazes de reconhecer a morfina. Eram os receptores opioides, chamados assim em referência ao ópio, que contém grande quantidade de morfina.

Parecia muito estranho que o cérebro tivesse receptores para uma substância analgésica obtida de um vegetal – a papoula (Papaver somniferum)... E ainda mais uma substância fortemente viciante, presente no tradicional narcótico cujo uso remonta a eras e civilizações antigas. No entanto, pouco tempo depois, o mesmo Snyder descobriu as morfinas endógenas, que ficaram conhecidas como endorfinas. Ficamos sabendo então que o nosso cérebro fabrica um tipo de morfina participante dos mecanismos naturais de regulação da dor.


A maconha feita no cérebro

Surpresa parecida causou a descoberta dos receptores canabinoides, capazes de reconhecer as substâncias psicoativas derivadas da maconha (Cannabis sativa). Foi em 1990 que o grupo do farmacologista Tom Bonner, do Instituto Nacional de Saúde Mental, nos Estados Unidos, clonou pela primeira vez um receptor canabinoide do cérebro. A esse feito seguiu-se a descoberta dos endocanabinoides, compostos gordurosos produzidos por neurônios e capazes de serem reconhecidos pelos mesmos receptores da maconha, posicionados na membrana de outros neurônios.

O que faria essa maconha endógena no cérebro? Os anos seguintes mostraram que os endocanabinoides são neurotransmissores não convencionais, pois não são armazenados em vesículas, mas produzidos “sob encomenda”. Ou seja: quando os neurônios do sistema nervoso central são ativados, sintetizam “maconha endógena” para modular as suas próprias sinapses.

Constatou-se que a ação dos endocanabinoides nas sinapses é retrógrada, ou seja, ocorre de trás para frente: sintetizadas no neurônio ativado por uma sinapse, essas substâncias vão atingir o neurônio antecedente da cadeia, sendo reconhecidas pelos receptores nele posicionados, que então freiam a transmissão sináptica que acabou de se iniciar. Uma espécie de marcha a ré da transmissão sináptica. Esse mecanismo é atuante nas regiões cerebrais que regulam o apetite e o humor, além das regiões ligadas à dor e à memória.

Os nossos canabinoides


Com a evolução do conhecimento sobre os endocanabinoides, mais surpresas aguardavam os farmacologistas. A mais recente delas veio de um estudo publicado há poucas semanas, realizado por pesquisadores do Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade de São Paulo, da empresa Proteimax, também de São Paulo, e das escolas de medicina Mount Sinai e Albert Einstein, em Nova York, nos Estados Unidos.

O grupo descobriu que os neurônios produzem peptídeos (pequenas proteínas) derivados da hemoglobina que ativam os receptores canabinoides do sistema nervoso – de modo semelhante à maconha. O trabalho envolveu o levantamento proteômico dos derivados da hemoglobina e de sua presença no cérebro, o que levou à identificação de peptídeos com nove aminoácidos e ação canabinoide. Essas substâncias, chamadas hemopressinas, foram encontradas em regiões do cérebro ligadas à regulação do apetite (o hipotálamo) e em outras que atuam na geração de sensações prazerosas (o núcleo acumbente), bem como nos terminais nervosos periféricos envolvidos na dor.

Os pesquisadores então realizaram diversos experimentos para testar a ação das hemopressinas nos receptores canabinoides conhecidos, o que permitiu a identificação da via de ação desses peptídeos.


Hemoglobina e maconha: relação improvável

A nova surpresa que o estudo trouxe, além da identificação de novos canabinoides, foi a sua origem a partir da hemoglobina. O que estaria fazendo no cérebro a molécula mais conhecida do sangue, encarregada de fixar o oxigênio da respiração nas células vermelhas? Na verdade, já se conhecia a presença de hemoglobina, em pequenas quantidades, em outros tecidos, como o endométrio do útero feminino, o cristalino do olho, os glomérulos dos rins e também os neurônios e células gliais do cérebro.

Outro fato que chama a atenção é que dados preliminares anunciados pelos autores do estudo indicam a produção de hemopressina em maiores quantidades quando o cérebro é submetido a condições de isquemia, como nos acidentes vasculares cerebrais. Nesse caso, teria essa “maconha endógena” alguma ação protetora contra os acidentes isquêmicos cerebrais?

A natureza, como se vê, percorre os mesmos caminhos para atender diferentes necessidades. As diversas células do organismo são aparelhadas para sintetizar substâncias semelhantes em órgãos e tecidos diferentes. Mas, em cada um, as mesmas substâncias são utilizadas para funções distintas. Soluções plenas de “racionalidade econômica”, diriam os economistas. Aproveitamento máximo das mesmas soluções em diferentes problemas.

sábado, 7 de novembro de 2009

Experiência pioneira com interface cerebral

Primeiro, um investigador do Hospital / Universidade de Genéve, instalado confortavelmente numa cadeira, com um dispositivo (composto por eléctrodos) na cabeça e um computador na sua frente.

Depois, em Coimbra, no Laboratório do Instituto de Sistemas e Robótica da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC), um pequeno robô.

Este é o cenário para a realização de uma experiência de controlo remoto de um autómato por ondas cerebrais (Brain Computer Interface), com um sistema inovador e fidedigno de interacção entre pessoas e máquinas, a decorrer a partir de amanhã, pelas 10h, no Departamento de Engenharia Electrotécnica e de Computadores da FCTUC.

Esta experiência de avaliação e análise da navegação humana é o resultado de um trabalho científico desenvolvido por cientistas portugueses e suíços ao longo dos últimos três anos no âmbito do projecto Europeu BACS – Bayesian Approach Cognitive Systems, sob a coordenação do investigador Jorge Dias, FCTUC.

O novo interface que permite o controlo remoto de um robô, utilizando apenas ondas cerebrais e a visão, terá, a breve prazo, um forte impacto social porque permitirá às pessoas com deficiências motoras muito graves obter mais autonomia, como explica, em linguagem muito simples, o coordenador da investigação.

“Com um simples e discreto dispositivo de eléctrodos, cidadãos com necessidades muito especiais, por exemplo, tetraplégicos ou acamados, terão autonomia para realizar tarefas quotidianas como atender o telefone, pedir ajuda, abrir a porta ou o frigorífico. Este sistema terá, sem dúvida, grande utilidade social”, referiu Jorge Dias.

Quanto à previsão para a comercialização desta tecnologia, “ o conceito está provado e validado. A grande dificuldade foi garantir precisamente uma interface robusta entre os sinais de comando (dados cerebrais) e o robô”, destacou o docente.

“Alguns cientistas tentaram experiências idênticas, mas sem a confiabilidade desejada para um interface deste tipo. Dentro de cinco anos esta nova tecnologia será mais popular porque é financeiramente atractiva e sem dificuldade de manuseamento”, concluiu Jorge Dias

Microsoft cria Cátedra de Investigação para a área da Saúde

A Microsoft Portugal e a Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT) anunciaram hoje a abertura de um Concurso Público para a atribuição da Cátedra Microsoft de Investigação em Saúde que visa o desenvolvimento de conhecimento no domínio das tecnologias de informação e comunicação aplicadas ao sector da saúde.

A iniciativa será levada a cabo em articulação com instituições de ensino superior universitário e resulta de um investimento conjunto da Microsoft e da FCT que pode ascender a 1,2 milhões de euros, sendo 75 por cento suportado pela Microsoft, durante os próximos cinco anos.

Encontro com a Ciência

Divulgar a Ciência que se faz em Portugal, estimular a cooperação científica e fomentar o diálogo entre os cientistas e a sociedade é o objectivo do III Encontro Ciência em Portugal – Ciência 2009, que tem início hoje, na Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa, pelas 10h.

Trata-se de uma iniciativa do Conselho dos Laboratórios Associados, em colaboração com o Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, através da Fundação para a Ciência e a Tecnologia, que decorrerá até amanhã.

Células estaminais usadas para

Estudo pioneiro na Duke University liga Portugal aos EUA

O sangue do cordão umbilical poderá vir a ser usado no tratamento da paralisia cerebral, depois de provas dadas no tratamento de doenças do foro hemato-oncológico e de outras doenças do sistema sanguíneo e imunitário. Para testar a aplicabilidade das células estaminais naquela patologia, está a ser realizado um estudo pioneiro pela pediatra e investigadora norte-americana Joanne Kurtzberg.

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

POR QUE SUAMOS AO SENTIR CALOR?

POR QUE SUAMOS AO SENTIR CALOR?
Para refrescar o organismo. Quando o corpo sente calor depois de alguma atividade física ou quando estamos com febre, pequenas glândulas na pele soltam o suor. Ele é um líquido levemente salgado, composto por 99% de água. A água evapora e ajudar a absorver o calor da pele, deixando o corpo mais fresco. Mas se o lugar é quente e úmido, a água não evapora e suor acaba não refrescando.