quarta-feira, 28 de outubro de 2009
Uso sustentável de energia
O professor da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU) e membro da USE Márcio D’Avila adverte que determinar qual o melhor modelo de telhado a ser usado exige a análise de vários aspectos. “Estamos pesquisando diversas espécies de plantas”, conta. “É importante que elas resistam bem aos períodos de estiagem. As flores também são interessantes para atrair a fauna, como os insetos polinizadores (que aumentam a capacidade das plantas de se reproduzir com mais eficiência)”, diz, lembrando que o substrato (composição da terra), o nível de retenção da água da chuva e o peso que cada estrutura arquitetônica precisa suportar são outros itens a serem considerados.
Da telha para o telhado verde
Para mostrar quais os benefícios de substituir a telha comum pelo telhado verde, a Prefeitura Universitária, a Divisão de Obras, a FAU e o Museu de Ciências e Tecnologia (MCT) da PUCRS desenvolveram três protótipos, cada um deles com diferentes tipos de telhado: o verde, o de fibrocimento e o de zinco.
Segundo D’Avila, com o telhado verde, a temperatura interna da casa permaneceu mais constante. “A cobertura vegetal evita, por exemplo, o surgimento de ilhas de calor nos centros urbanos. Em dias quentes, geralmente evitamos permanecer em locais onde a superfície é composta por materiais que retêm o calor gerado pelos raios solares, como o asfalto, o concreto, entre outros. Já o telhado verde diminui essa retenção de calor”, compara.
Redução dos gastos de energia
Um dos objetivos do USE é reduzir os gastos com a energia elétrica no campus central da universidade. Para isso, o comitê responsável pelo projeto – formado pelas faculdades de Arquitetura e Urbanismo e de Engenharia, além da Prefeitura Universitária e da Divisão de Obras – verifica o consumo em todos os prédios. O diretor do MCT, professor Emilio Jeckel Neto, lembra que o telhado verde reduziu os gastos com o ar-condicionado, pela maior eficiência do equipamento em um ambiente com temperatura estável.
A pesquisa, iniciada em novembro do ano passado, envolve hoje um grande número de unidades acadêmicas. A previsão do comitê é que, nos próximos seis meses, as primeiras experiências com o telhado verde sejam estendidas a todos os prédios do campus.
sexta-feira, 23 de outubro de 2009
Os raios cósmicos de alta energia podem matar um astronauta no espaço?
Podem, mas a probabilidade de isso acontecer é muito pequena, tão pequena que não deve preocupar os planejadores de viagens espaciais. É muito mais alta, por exemplo, a probabilidade de ser atingido por um micrometeorito com energia suficiente para matar um astronauta.
Os raios cósmicos de baixa energia, que estão por toda parte, porém, são um problema muito sério para as viagens longas, como uma possível viagem para Marte.
Uma pessoa na superfície da Terra recebe uma radiação de origem cósmica constante, algo como uma dezena de raios por segundo atravessando seu corpo. Essa radiação é bastante inócua. No entanto, o fluxo da radiação no espaço é muito maior e potencialmente mais perigoso. Perto da Terra, o campo magnético atenua esse fluxo. Longe, o seu efeito é mais sério.
Raios cósmicos de origem galáctica, com energias de alguns gigaelétron-volts por núcleos, são bastante abundantes e oferecem mais perigo para seres vivos, danificando genes e células. O efeito acumulado desses danos pode inviabilizar as viagens interplanetárias, a menos que sejam desenvolvidos meios de proteger os astronautas.
Por que envelhecemos?
Podcast discute os processos biológicos por trás do envelhecimento e os limites da longevidade
Envelhecer com qualidade de vida é uma antiga preocupação dos seres humanos (foto: Carol Garbiano).
O envelhecimento e a morte são uma preocupação da humanidade há milhares de anos. Com o avanço da ciência, nossa longevidade vem aumentando constantemente. O Estúdio CH desta semana aborda os processos biológicos envolvidos no envelhecimento dos seres humanos e discute os limites da longevidade.
Em sua estreia como apresentador do nosso podcast, Fred Furtado conversa com o biólogo Emílio Antônio Jeckel Neto, diretor do Museu de Ciência e Tecnologia da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul. O pesquisador, especialista em biologia do envelhecimento, explica o que leva o nosso organismo a assumir características diferentes à medida que o tempo passa. Segundo ele, isso acontece porque nosso sistema biológico se torna cada vez mais simplificado para desenvolver estratégias para sobreviver a um ambiente em constante modificação.
Jeckel Neto ressalta que há um limite para a longevidade de qualquer ser vivo. Dependendo de suas propriedades intrínsecas para conseguir se adaptar às variações ambientais, os seres alcançam um sucesso maior ou menor no que diz respeito à quantidade de tempo que são capazes de se manter no ambiente.
O biólogo explica que os avanços da ciência em relação à longevidade estão muito mais associados a questões ambientais do que ao organismo em si. A expectativa média de vida aumentou bastante, por exemplo, com o desenvolvimento dos antibióticos e quando os profissionais da área de saúde descobriram que lavar as mãos diminuía o risco de contaminação. Mas não existe uma intervenção científica capaz de aumentar a longevidade máxima do organismo.
Sobre a possibilidade de se intervir nos processos biológicos do corpo para aumentar nossa qualidade de vida, Jeckel Neto diz que esse fator não está associado somente ao indivíduo, mas à sociedade como um todo, que se beneficia da existência de saneamento básico, por exemplo. O biólogo acrescenta que o aspecto individual que mais interfere na longevidade dos seres humanos é a quantidade e a qualidade dos alimentos ingeridos e explica o motivo dessa relação.
Aves em boa forma.
Corujas e gavião passam por treinamento no Pará para caçar melhor, manter o peso e ter saúde
O gavião-caboclo (Buteogallus meridionalis) é uma das aves que recebem treinamento no Parque Zoobotânico do Museu Paraense Emílio Goeldi (fotos: Pedro Henrique Cruz).
Já ouviu falar em falcoaria? Esse é o nome de uma técnica muito antiga, usada para adestrar aves de rapina, como corujas, falcões, águias e gaviões. Além de tornar esses animais excelentes caçadores, a falcoaria ainda pode ajudá-los a se recuperar de doenças e de lesões, entre vários outros benefícios. Por isso, tem sido usada em aves que vivem no Parque Zoobotânico do Museu Paraense Emílio Goeldi.
“O animal que passa por esse treinamento fica menos estressado e mais tolerante à presença humana. Até as penas ganham mais brilho!”, conta o estudante de biologia Marcos Cruz, que atualmente usa a falcoaria para treinar, em parceria com o também futuro biólogo Felipe Furtado e com a estudante de veterinária Carmen Pereira, um gavião-caboclo e duas corujas no Pará.
O gavião tem o que se chama de hipocalcemia: a falta de cálcio no sangue, doença provavelmente provocada pela alimentação inadequada nos primeiros meses de vida, quando a ave viveu em cativeiro ilegal. Já as corujas — uma delas chamada Buba — não possuem problemas de saúde, mas chegaram ao Parque Zoobotânico aos três meses de vida. Com tão pouca idade, dificilmente sobreviveriam sozinhas na natureza, já que não sabiam caçar. Algo que a falcoaria pode ensinar, assim como trazer outros benefícios.
Quantos exercícios!
O estudante de biologia Marcos Cruz e a coruja murucututu conhecida como Buba.
Por funcionar como uma ginástica para aves — ao exercitar todos os músculos do animal —, a técnica ajuda na recuperação de doenças e lesões, além de auxiliar no controle de peso, evitando que aves que vivem em cativeiro se tornem obesas.
O treinamento é feito em cinco etapas. Na primeira, o adestrador — também chamado de falcoeiro — leva alimento, em uma luva, diretamente ao bico do animal. Depois, a ave precisa voar até o falcoeiro para pegar a comida. A seguir, uma isca feita de couro e que imita um bicho de verdade é apresentada, o que estimula os instintos de caça e desenvolve os movimentos da ave. Nas duas últimas etapas, o bicho caça uma presa real. Em geral, as aves de rapina gostam de se alimentar de insetos, ratos, lagartos, serpentes, aves e anfíbios.
Não há um prazo determinado para o fim do treinamento, pois cada animal tem seu próprio tempo de recuperação. No entanto, o esforço é grande. Para você ter uma ideia, o gavião e as duas corujas que estão sendo adestradas atualmente no Museu Paraense Emílio Goeldi chegam a dar entre 30 e 50 voos por treino!
Preconceito, não!
Mas você sabia que, além de fazer bem aos animais, a falcoaria ainda pode ser educativa? “Alguns treinamentos são feitos perto dos visitantes. Assim, os falcoeiros têm a chance de passar informações sobre as aves de rapina e contribuir para o fim do preconceito em relação a elas”, explica Marcos Cruz, lembrando que muitas pessoas maltratam injustamente corujas por causa da crença popular de que o seu canto é sinal de mau agouro. “As corujas urbanas, porém, ajudam a controlar pragas como ratos e pombos”, explica o estudante de biologia. Eis aí uma boa razão para garantir a saúde de aves de rapina como essa, você não acha?
terça-feira, 20 de outubro de 2009
Como funciona a bala que explode na boca?
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Lesmas, caramujos e caracóis.
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“Lesma, caracol e caramujo são nomes populares atribuídos aos moluscos que pertencem ao grupo dos gastrópodes”, explica a bióloga Inga Veitenheimer Mendes, do Centro Universitário La Salle, do Rio Grande do Sul. Vamos conhecer, então, algumas características de cada animal, para reconhecê-los? Só fique esperto porque, como estamos falando de nomes populares, o bicho que é chamado de lesma em uma região do Brasil pode ser conhecido como caracol em outra e assim por diante!
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LESMAS
Em geral, são moluscos sem concha, encontrados no solo, embaixo ou sobre a vegetação rasteira, em hortas, jardins ou matos. No Brasil, há lesmas que são nativas do nosso país e outras que têm origem na Europa: essas, aliás, devem ter chegado por aqui na época do descobrimento, há mais de 500 anos! As lesmas “brasileiras” têm o corpo achatado, enquanto o das europeias é cilíndrico, entre outras diferenças (as européias, por exemplo, apresentam uma concha reduzida, transparente, em forma de unha, encoberta por uma dobra de pele, que parece uma corcunda. As brasileiras, não). E você sabia que, no mar, também há lesmas? Algumas não apresentam concha, enquanto outras, como a lebre-do-mar, têm uma bem pequena, encoberta pela pele. Há, ainda, as que são coloridas e brilhantes!
CARACÓIS E CARAMUJOS
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Mara Figueira
Ciência Hoje.
segunda-feira, 19 de outubro de 2009
Menino de dois anos é comparado a Einstein em teste de QI
Loirinho, olhos azuis, 2 anos e meio de idade, o xodó do papai e da mamãe - corujas assumidos que desde cedo enxergaram qualidades ''excepcionais'' no menino. Aos 4 meses, os pais acharam que Oscar já ria das partes engraçadas das historinhas que ouvia. Com um ano e meio, Oscar teria declamado o alfabeto inteiro. Segundo a mãe, nessa época ele já dominava um vocabulário de 600 palavras - cerca de 30 vezes mais do que o normal. Quando tinha apenas um ano e oito meses de idade, Oscar acordou durante a madrugada e chamou pelos pais. Eles pensaram que o filho estava com fome. Mas o que ele queria era conversar sobre o Império Romano. Foi aí que os pais perceberam que tinham um filho pra lá de especial. A mãe, que é formada em ciências médicas, e o pai que estudou ciências da computação, contam que foi uma surpresa atrás da outra. Antes dos 2 anos, Oscar já explicava, detalhadamente, como nascem os pinguins e como é formado o sistema solar. Também sabia de cor os nomes de dezenas de pássaros britânicos. “Ele fala sobre tudo e fala muito rápido”, confirma o pai, sem esconder o orgulho que sente do filho. Quem vê o menino brincando no jardim pode até não enxergar nada de anormal. Só que ele é um daqueles casos em que as aparências enganam. Pelo menos é o que atestou o Mensa, o conceituado instituto internacional de avaliação mental. Em um teste de QI (que avalia o nível de inteligência), Oscar fez 160 pontos, a mesma pontuação de gênios como Albert Einstein, por exemplo. “O QI médio da população é sempre 100. Existe uma banda de variação entre 85 e 115. Então, a grande maioria dos indivíduos de uma população vai ficar entre 85 e 115. Acima desse valor já é considerado um QI que tende a ser alto”. O teste aplicado em Oscar é especial para crianças da idade dele. Perguntas e respostas simples e provas de raciocínio. O que surpreendeu os pesquisadores do Instituto Mensa não foi só a agilidade do menino, mas seu poder de organizar as idéias e até formar opinião própria. No jardim, eu pergunto o que ele espera ganhar no Natal. Oscar diz que só não quer uma árvore enfeitada porque é contra o corte de árvores... Mas, então o que quer ganhar do Papai-noel? “Quero amigos, outras crianças com quem eu possa brincar e falar”, conta. A mãe de Oscar explica: “o menino se sente deslocado entre os amiguinhos da mesma idade. Outro dia, ele comentou na escolinha que não gostou do final do filme 'A bela e a fera’ porque a fera virou um ser humano. Ele preferia a fera como fera. Deu pena. Oscar se sentiu ignorado”. “Uma das dificuldades que a criança de QI alto pode encontrar é de integração com seus pares da mesma faixa etária, já que os seus interesses podem não ser compatíveis com o dessas crianças da mesma faixa etária. Não só isso, mas sua capacidade de compreensão de determinadas cenas, de determinados acontecimentos pode ir além das outras crianças, o que pode causar inclusive desavenças”. É por isso que os pais estão preocupados. Eles sabem que têm nas mãos uma missão delicada. Criar Oscar como ele é, ou seja, um menino especial. Garantir que ele tire o máximo proveito da inteligência que tem e que seja feliz, na infância e também quando se tornar um adulto.
