domingo, 9 de agosto de 2009

Inpacto profundo


Só o cinema poderia fazer melhor: em 4 de julho, dia da independência dos EUA, pesquisadores da Nasa comemoraram a chegada ao alvo do primeiro artefato humano feito especificamente para se espatifar contra um cometa. Um dos módulos da sonda Deep Impact acertou em cheio o Tempel-1, que viajava pelo espaço a 30000 km/h. Do tamanho de uma máquina de lavar, o bólido abriu um rombo no corpo celeste e fez com que uma nuvem de poeira se levantasse. O objetivo era estudar tanto a composição dos cometas, ainda pouco cohecida pela ciência, quanto as próprias origens do sistema solar. É que os cometas mudaram muito pouco desde o início dos tempos e acredita-se que eles guardem um registro dessas eras primitivas. Um dos dados obtidos com a colisão é de cair o queixo: o Tempel-1 parece ser mais uma bola de areia fina do que um pedaço de rocha e gelo, como se acreditava antes.
A raíz da árvore
Uma datação mais precisa feita em dois fósseis encontrados nos anos 60 deu uma idade surpreendente aos primeiros membros da nossa espécie, a Homo sapiens: quase 200 mil anos. O estudo, feito por cientistas da Universidade Nacional Australiana e da Universidade Stony Brook, nos EUA, recuou em quase 30 mil anos o registro dos humanos modernos. Os fósseis, conhecidos como Omo 1 e Omo 2, vêm da Etiópia, assim como o vestígio mais antigo de Homo sapiens encontrado anteriormente. Para ter uma idéia de sua antiguidade, basta dizer que os neandertais mal estavam surgindo na Europa quando os etíopes, com feições ligeiramente mais primitivas que as nossas, já andavam pela África. O achado reforça a hipótese de que os humanos modernos se originaram no continente africano e de lá partiram para o resto do mundo.
Separados no nascimento
Foi o último prego no caixão do nosso orgulho como espécie. O mapa genético completo do chimpanzé comum (Pan troglodytes) foi revelado por biólogos em setembro e a conclusão inegável é que ele é absurdamente parecido com o nosso. A semelhança global fica em torno de 96%, mas quando se leva em conta apenas os pedaços de DNA com função conhecida, ela sobe para 99%! Com tanta similaridade entre humanos e seus primos de 1º grau, a velha pergunta sobre o que faz de nós humanos continua tão misteriosa como sempre. Ainda na área genômica, o mundo teve 3 boas notícias: o mapeamento do DNA de 3 dos maiores parasitas unicelulares que atormentam países pobres, o Trypanosoma cruzi, que causa o mal de Chagas; o Trypanosoma brucei, micróbio da doença do sono; e um dos tipos de Leishmania, responsável pela leishmaniose. Graças a essas descobertas, o caminho para a cura dessas doenças está um pouco mais curto.

quarta-feira, 22 de julho de 2009

Rádios piratas podem colocar vidas humanas em risco


As rádios piratas podem colocar vidas em risco por interferir com as frequências de emergência, afirma a entidade reguladora da indústria das comunicações no Reino Unido, a Ofcom

De acordo com a Ofcom, as transmissões podem colocar vidas em risco por interferir com as frequências do serviço de emergência, além de poderem também bloquear as estações legítimas.
Numa tentativa para combater a pirataria de rádios, as autoridades britânica têm vindo a aumentar os seus esforços na detecção e encerramento das estações infractoras
Na sequência das suas actividades, a polícia invadiu um domicilio no norte de Londres, que, segundo dizem, albergava uma estação de rádio ilegal. Foram presas cinco e apreendidos milhares de libras e equipamentos de radiodifusão e musicais.
Dados divulgados pela Ofcom revelam que existem mais de 150 estações de rádios piratas a operar em todo o Reino Unido, metade das quais estão localizadas em Londres e no sudeste da Inglaterra.
No ano passado, a polícia realizou buscas em 43 estúdios utilizados por estações piratas e encerrou 838 transmissores ilegais.

Espaço: Um grande olho no céu à espreita de pontinhos azuis


Kepler vai procurar planetas que orbitem em torno de estrelas parecidas com o nosso Sol

Se tudo correr bem, dentro de horas o novo telescópio espacial Kepler da NASA partirá de cabo Canaveral a bordo de um foguetão. A sua missão: descobrir outros "pontinhos azuis"- ou seja, planetas parecidos com o nosso que orbitem em torno de estrelas parecidas com o nosso Sol.A anos-luz da Terra, algures na nossa galáxia, a Via Láctea, uma anónima e modesta estrela alberga um pequeno planeta, feito de continentes de pedra, oceanos de água líquida e céus azuis. Tal como a Terra, esse planeta completa uma órbita em torno do seu sol em mais ou menos um ano. Não é nem muito quente nem muito frio: tem a temperatura ideal para o desenvolvimento da vida. Quem sabe, talvez já esteja cheio de vida... O que não daríamos para o ver!O mais provável é que isso nunca venha a acontecer - mesmo um punhado de anos-luz são milhões de quilómetros a mais para os seres humanos lá chegarem em pessoa. Mas os astrónomos acreditam que é, contudo, possível fazer algo que se aproxima disso: estudar a atmosfera de planetas como este - se é que existem -, determinar se são habitáveis e descobrir eventuais sinais da presença de vida.É um velho sonho da Humanidade, saber se estamos ou não sozinhos no Universo. O nosso "pontinho azul", como lhe chamava o conhecido astrónomo Carl Sagan, será único, ou haverá muitos outros como ele noutros cantos da Via Láctea e até de outras galáxias? E se houver muitos outros, haverá ou não vida neles? E se houver vida neles, será vida inteligente, consciente, ou apenas vida primitiva?O telescópio espacial Kepler da NASA, que deverá ser lançado por volta das 4h da próxima madrugada (hora de Lisboa) a partir de cabo Canaveral, na Florida, a bordo de um foguetão Delta2, é a concretização da primeira etapa indispensável na exploração desta nova fronteira. Tem por missão descobrir mais pontinhos azuis. "O Kepler é uma importante pedra angular para percebermos que tipos de planetas se formam à volta de outras estrelas", diz Debra Fischer, "caçadora" de planetas extra-solares da Universidade Estadual de São Francisco, citada num comunicado da NASA. "As suas descobertas (...) vão ser o nosso guia para conseguirmos um dia vislumbrar um pontinho azul como o nosso à volta de outra estrela da nossa galáxia."Até à data, conhecem-se mais de 300 "exoplanetas", mas nenhum deles parece ser muito semelhante à Terra; costumam ser muito maiores e a maioria são bolas gigantes de gases incandescentes. De facto, nem o telescópio espacial Hubble nem os mais potentes telescópios terrestres seriam capazes de detectar planetas do tamanho da Terra a distâncias tão imponentes. Espera-se que as coisas mudem radicalmente com a chegada do Kepler ao espaço, que, para mais, ao contrário dos outros telescópios, se dedicará em exclusividade à pesquisa de exoplanetas (a sonda Corot, lançada pela Agência Espacial Europeia em 2006, também à procura de planetas extra-solares, é menos potente do que o Kepler e menos adequada à detecção de planetas tipo-Terra).Olhar fixamente as estrelasO novo telescópio, baptizado em homenagem a Johannes Kepler (1571-1630), pai da astronomia moderna, pesa uma tonelada e custou 478 milhões de euros. É basicamente composto por uma câmara digital de 95 milhões de pixéis - a mais potente de sempre a ser colocada no espaço - e de um espelho com quase um metro e meio de diâmetro. A abertura do telescópio é quase de um metro. Colocado em órbita à volta do Sol, seguirá o rasto ao nosso planeta e ficará orientado para uma porção do céu visível do Hemisfério Norte da Terra, na direcção das constelações Cisne e Lira. Ao longo dos pelo menos três anos (pode chegar aos seis) que deverá durar a sua missão, vai realizar um gigantesco "recenseamento planetário", segundo as palavras de Jon Morse, director da divisão de Astrofísica da NASA, olhando fixamente e simultaneamente para mais de 100 mil estrelas nessa região da Via Láctea.Para detectar exoplanetas, o Kepler utilizará o método dito dos trânsitos, que consiste em detectar pequeníssimas flutuações da radiação, "piscadelas" na luz emitida pelas estrelas, devidas à passagem de um planeta à sua frente. O Kepler é um aguçadíssimo olho no céu, como explica James Fanson, responsável da missão, no mesmo documento da NASA: "Se o Kepler olhasse para a Terra à noite a partir do espaço, seria capaz de detectar a diminuição da luz num alpendre se alguém passasse à frente da lâmpada". O que equivale ainda a ser capaz, para recorrer à imagem usada pelo New York Times, de detectar a variação de luz produzida por uma pulga a rastejar à superfície do farol de um carro. O Kepler fará observações em contínuo, sem desviar o olho dos seus alvos e sem pestanejar, e enviará para a Terra os dados recolhidos uma vez por semana.Como os planetas que o Kepler procura devem ser parecidos com o nosso e a sua estrela parecida com o nosso Sol, isso significa, em princípio, que esses planetas demoram cerca de um ano a completar uma volta em torno da estrela. Portanto, ao longo da sua missão, o novo telescópio deverá ser capaz de confirmar várias vezes a redução periódica da luminosidade de uma dada estrela de forma a garantir que essa variação se deve à passagem de um planeta e não a algum outro fenómeno. Mas isso também quer dizer que só no fim da missão é que se saberá quantos planetas do tipo da Terra é que o Kepler encontrou.Contudo, os responsáveis da missão têm uma ideia do número em causa. Pensam que o Kepler deverá detectar centenas de planetas de todo o tipo - muitos deles gigantes quentíssimos - e que, se de facto os pontinhos azuis forem moeda corrente na nossa galáxia, umas dezenas dos exoplanetas descobertos serão parecidas com a Terra e estarão situadas na zona "habitável" do seu respectivo sistema solar.Umas dezenas pode parecer muito pouco, dado o número de estrelas que o telescópio irá perscrutar. Mas o facto é que, entre aquelas 100 mil estrelas e o seu eventual cortejo de planetas, nem todos se vão alinhar com o Kepler para serem "apanhados" pela objectiva. Estima-se que um tal alinhamento apenas se produza em um por cento dos casos. Muitos planetas como o nosso passarão, portanto, despercebidos, mesmo que existam.Mas nada garante o desenlace: "Se descobrirmos que a maior parte das estrelas possui planetas como a Terra", diz William Borucki, responsável científico da missão, "isso implica que as condições que sustentam o desenvolvimento da vida poderão ser comuns na nossa galáxia. Mas se encontrarmos poucos ou nenhuns planetas destes, isso indicará que talvez estejamos sozinhos."

Caneta digital converte escrita em textos para telemóvel


A T-Systems apresentou na CeBIT uma nova caneta digital, que permite aos utilizadores enviar notas escritas à mão para um telemóvel

A nova tecnologia foi desenvolvida com objectivo de diminuir custos e tornar procedimentos mais rápidos, através do envio de notas directamente para telemóvel, através de Bluetooth.
Entre os exemplos da utilização desta caneta dadas pela T-Systems surgem a assinatura de contratos, tarefa que poderá vir a revolucionar as transacções de negócios num futuro próximo, e a criação de notas em apresentações em slides de PowerPoint, que vão aparecer em tempo real durante a apresentação.

segunda-feira, 20 de julho de 2009

Um cérebro com 300 milhões de anos

Fóssil. Dentro do crânio fossilizado de um antepassado das raias e tubarões foi encontrado um minúsculo cérebro, o mais velho alguma vez descoberto. "Agora podemos começar à procura de outros", disse um dos cientistas do projecto Crânios costumam chegar espalmados aos nossos diasOs cientistas estavam a usar a luz sincrotrónica para analisar um dos poucos crânios completos de um peixe iniopterygian, um antepassado com 300 milhões de anos dos tubarões e das raias, quando se depararam com algo estranho. Mais testes revelaram um pequeno cérebro fossilizado, o mais velho alguma vez encontrado. "Durante muitos anos, os paleontólogos usaram a forma da cavidade do crânio para pesquisar a morfologia do cérebro, porque o tecido mole não estava disponível", indicou o principal autor da descoberta, Alan Pradel, do Museu Nacional de História Natural francês. "Os tecidos moles fossilizaram no passado, mas são normalmente músculo ou órgãos como os rins", afirmou por seu lado John Maisey, do museu homólogo norte- -americano, em Nova Iorque. "Os cérebros fossilizados são pouco comuns e este é, de longe, o mais velho exemplo conhecido", acrescentou. O cérebro do peixe, descoberto no estado norte-americano de Kansas, terá fossilizado "graças à presença de bactérias que cobriram o cérebro antes do início da decomposição", indicou Alan Pradel no artigo na revista Proceedings of the National Academy of Sciences. Normalmente, os fósseis do crânio deste animal chegam aos nossos dias espalmados, o que impede estudos pormenorizados. Os exames com a luz sincrotrónica, no laboratório europeu em Grenoble (França), permitiram recolher informações detalhadas sobre a estrutura do cérebro. "É possível ver o cerebelo, a espinal medula, os lobos ópticos e os nervos", indicam os cientistas, que fizeram uma reconstrução a três dimensões do crânio. O peixe, que não media mais de 50 centímetros de comprimento, tinha um cérebro simétrico de 1,5 por sete milímetros. "Agora, que sabemos que os cérebros se podem preservar dentro de fósseis tão antigos, podemos começar a procurar outros", afirmou Maisey, abrindo caminho ao estudo do desenvolvimento do cérebro em animais vertebrados.

Um PC dentro do seu teclado

Seguindo a mesma linha do Eee Pc, a Asus exibiu na feira de tecnologia Cebit, o Eee Keyboard. Com o formato de um teclado, inclui um ecrã de 5 polegadas sensíveis ao toque e dispositivos, normalmente encontrados em computadores portáteis tradicionais, como acesso à Internet sem fios, portas USB e sistema operacional XP.
Este protótipo, cujo preço ainda não foi divulgado, está perto de ser comercializado. Segundo avança o site G1, a Asus confirmou em Janeiro, ao blog de tecnologia «Engadget», que o Eee Keyboard estaria perto do protótipo final.
Fiel ao conceito Eee «easy to learn, easy to work, easy to play» (fácil de aprender, fácil de trabalhar, fácil de brincar), este modelo pesa 950 gramas, tem disco rígido de 16 Gb e memória RAM de 1 GB.

Fonte de energia descoberta no espaço

Uma equipa internacional de astrofísicos, que envolve vários grupos de pesquisa de Espanha, descobriu uma fonte de raios gama de alta energia numa região de galáxias distantes - 3C 66ª e 3C 66B. Esta nova emissão, observada num telescópio MAGIC em Las Palmas (ilhas Canárias) não é aquilo que os cientistas esperavam encontrar. Em 2007 o telescópio MAGIC esteve mais de 50 horas a observar a região galáxica 3C 66A, que está a mais ou menos 3 biliões de anos luz da Terra. Os resultados destas observações mostraram a descoberta de uma fonte de raios gama de alta intensidade energética (para cima de 150 biliões de volts), como foi publicado no The Astropshysical Journal Letters. Nos próximos anos, os cientistas continuarão a estudar aquela região do espaço, também observada por outros telescópios para além do MAGIC, para encontrarem uma explicação correcta.